domingo, 12 de junho de 2011

No infinito de nós dois

foto belíssima extraída do blog Luz da Roberta Maia


Se você quer ser minha namorada

Ai, que linda namorada

Você poderia ser

Se quiser ser somente minha

Exatamente essa coisinha

Essa coisa toda minha

Que ninguém mais pode ser

Você tem que me fazer um juramento

De só ter um pensamento

Ser só minha até morrer

E também de não perder esse jeitinho

De falar devagarzinho

Essas histórias de você

E de repente me fazer muito carinho

E chorar bem de mansinho

Sem ninguém saber porquê

E se mais do que minha namorada

Você quer ser minha amada

Minha amada, mas amada pra valer

Aquela amada pelo amor predestinada

Sem a qual a vida é nada

Sem a qual se quer morrer

Você tem que vir comigo

Em meu caminho

E talvez o meu caminho

Seja triste pra você

Os seus olhos têm que ser só dos meus olhos

E os seus braços o meu ninho

No silêncio de depois

E você tem que ser a estrela derradeira

Minha amiga e companheira

No infinito de nós dois.


Vinícius de Moraes

**Eu cantei por 2 anos e 1/2 num Coral.
Essa música- Minha Namorada, fazia parte do repertório musical do Coral.
Era quase impossível cantá-la sem me emocionar e sem ficar com os olhos rasos d`água.



FELIZ DIA DOS NAMORADOS!!!


sábado, 11 de junho de 2011

PARA VIVER UM GRANDE AMOR


Um Tributo ao inesquecível Vinícius!


Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.

Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.

É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.

Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.



Vinícius de Moraes

sexta-feira, 10 de junho de 2011

De um amor sem mistério e sem virtude





Amo-te tanto, meu amor ... não cante



O humano coração com mais verdade ...




Amo-te como amigo e como amante




Numa sempre diversa realidade.




Amo-te afim, de um calmo amor prestante


E te amo além, presente na saudade.


Amo-te, enfim, com grande liberdade


Dentro da eternidade e a cada instante.



Amo-te como um bicho, simplesmente


De um amor sem mistério e sem virtude


Com um desejo maciço e permanente.


E de te amar assim, muito e amiúde


É que um dia em teu corpo de repente


Hei de morrer de amar mais do que pude.



Soneto do Amor Total
Vinícius de Moraes

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Sobre amor - O melhor dentre os melhores


Soneto de Fidelidade


De tudo ao meu amor serei atento


Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto


Que mesmo em face do maior encanto


Dele se encante mais meu pensamento.



Quero vivê-lo em cada vão momento


E em seu louvor hei de espalhar meu canto


E rir meu riso e derramar meu pranto


Ao seu pesar ou seu contentamento



E assim, quando mais tarde me procure


Quem sabe a morte, angústia de quem vive


Quem sabe a solidão, fim de quem ama



Eu possa me dizer do amor (que tive):


Que não seja imortal, posto que é chama


Mas que seja infinito enquanto dure.


Vinícius de Moraes

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Sobre o perdão




Nos meus cadernos de guardados, encontrei a seguinte citação, que desconheço a autoria:


Eu não tenho ódio,
eu tenho memória!

Perdoar é esquecer por completo!


E não há um dia sequer, nos últimos anos, que eu não dedique em minhas orações o meu pedido de forças para aprender a perdoar!

terça-feira, 7 de junho de 2011

É difícil perdoar?


É difícil perdoar?

Mas quem disse que é fácil se arrepender?

Se você sente algo, diga...

É difícil se abrir?

Mas quem disse que é fácil encontrar

alguém que queira escutar?

Se alguém reclama de você, ouça...


É difícil ouvir certas coisas?

Mas quem disse que é fácil ouvir você?


Se alguém te ama, ame-o...


É difícil entregar-se?

Mas quem disse que é fácil ser feliz?


Nem tudo é fácil na vida...

Mas, com certeza, nada é impossível


Precisamos acreditar, ter fé e lutar


para que não apenas sonhemos,

Mas também tornemos todos esses desejos,


realidade!!!



Clarice Lispector

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Virando a Página - Li no Blog da Úrsula Ferrari

“Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.

Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.

Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos, não importa o nome que damos.

O que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedido do trabalho?

Terminou uma relação?

Deixou a casa dos pais?

Partiu para viver em outro país?

A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu.

Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.

Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã…

Todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.

O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.

Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.

Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.

Deixar ir embora.

Soltar.

Desprender-se.

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas.

Portanto, às vezes ganhamos e às vezes perdemos.

Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor.

Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”.

Antes de começar um capítulo novo é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa…

Nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.

Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos.

Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba.

Mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.

Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.”


Do excelente blog da Úrsula Ferrari - Personal & Professional Coach formada pela Sociedade Brasileira de Coaching - http://ursulaferraricoach.wordpress.com

domingo, 5 de junho de 2011

Vocabulário feminino


Hoje dedico à postar um excelente texto de Leila Ferreira
que minha amiga Silvia Regina me encaminhou,
espero que gostem!

Se eu tivesse que escolher uma palavra - apenas uma - para ser item obrigatório no vocabulário da mulher de hoje, essa palavra seria um verbo de quatro sílabas: descomplicar.

Depois de infinitas (e imensas) conquistas, acho que está passando da hora de aprendermos a viver com mais leveza: exigir menos dos outros e de nós próprias, cobrar menos, reclamar menos, carregar menos culpa, olhar menos para o espelho.

Descomplicar talvez seja o atalho mais seguro para chegarmos à tão falada qualidade de vida que queremos - e merecemos - ter.

Mas há outras palavras que não podem faltar no kit existencial da mulher moderna.

Amizade, por exemplo.
Acostumadas a concentrar nossos sentimentos (e nossa energia...) nas relações amorosas, acabamos deixando as amigas em segundo plano.
E nada, mas nada mesmo, faz tão bem para uma mulher quanto a convivência com as amigas.
Ir ao cinema com elas (que gostam dos mesmos filmes que a gente), sair sem ter hora para voltar, compartilhar uma caipivodca de morango e repetir as histórias que já nos contamos mil vezes - isso, sim, faz bem para a pele.

Para a alma, então, nem se fala.

Ao menos uma vez por mês, deixe o marido ou o namorado em casa, prometa-se que não vai ligar para ele nem uma vez (desligue o celular, se for preciso) e desfrute os prazeres que só uma boa amizade consegue proporcionar.

E, já que falamos em desligar o celular, incorpore ao seu vocabulário duas palavras que têm estado ausentes do cotidiano feminino: pausa e silêncio.

Aprenda a parar, nem que seja por cinco minutos, três vezes por semana, duas vezes por mês, ou uma vez por dia - não importa - e a ficar em silêncio.

Essas pausas silenciosas nos permitem refletir, contar até 100 antes de uma decisão importante, entender melhor os próprios sentimentos, reencontrar a serenidade e o equilíbrio quando é preciso.

Também abra espaço, no vocabulário e no cotidiano, para o verbo rir.

Não há creme anti-idade nem botox que salve a expressão de uma mulher mal-humorada.

Azedume e amargura são palavras que devem ser banidas do nosso dia a dia.

Se for preciso, pegue uma comédia na locadora, preste atenção na conversa de duas crianças, marque um encontro com aquela amiga engraçada - faça qualquer coisa, mas ria.

O riso nos salva de nós mesmas, cura nossas angústias e nos reconcilia com a vida.

Quanto à palavra dieta, cuidado: mulheres que falam em regime o tempo todo costumam ser péssimas companhias.

Deixe para discutir carboidratos e afins no banheiro feminino ou no consultório do endocrinologista.

Nas mesas de restaurantes, nem pensar.
Se for para ficar contando calorias, descrevendo a própria culpa e olhando para a sobremesa do companheiro de mesa com reprovação e inveja, melhor ficar em casa e desfrutar sua salada de alface e seu chá verde sozinha.

Uma sugestão?
Tente trocar a obsessão pela dieta por outra palavra que, essa sim, deveria guiar nossos atos 24 horas por dia: gentileza.

Ter classe não é usar roupas de grife: é ser delicada.

Saber se comportar é infinitamente mais importante do que saber se vestir.

Resgate aquele velho exercício que anda esquecido: aprenda a se colocar no lugar do outro, e trate-o como você gostaria de ser tratada, seja no trânsito, na fila do banco, na empresa onde trabalha, em casa, no supermercado, na academia.

E, para encerrar, não deixe de conjugar dois verbos que deveriam ser indissociáveis da vida: sonhar e recomeçar.

Sonhe com aquela viagem ao exterior, aquele fim de semana na praia, o curso que você ainda vai fazer, a promoção que vai conquistar um dia, aquele homem que um dia (quem sabe?) ainda vai ser seu, sonhe que está beijando o Richard Gere... sonhar é quase fazer acontecer.

Sonhe até que aconteça.

E recomece, sempre que for preciso: seja na carreira, na vida amorosa, nos relacionamentos familiares.

A vida nos dá um espaço de manobra: use-o para reinventar a si mesma.

E, por último (agora, sim, encerrando), risque do seu Aurélio a palavra perfeição.

O dicionário das mulheres interessantes inclui fragilidades, inseguranças, limites.

Pare de brigar com você mesma para ser a mãe perfeita, a dona de casa impecável, a profissional que sabe tudo, a esposa nota mil.

Acima de tudo, elimine de sua vida o desgaste que é tentar ter coxas sem celulite, rosto sem rugas, cabelos que não arrepiam, bumbum que encara qualquer biquíni.

Mulheres reais são mulheres imperfeitas. E mulheres que se aceitam como imperfeitas são mulheres livres. Viver não é (e nunca foi) fácil, mas, quando se elimina o excesso de peso da bagagem (e a busca da perfeição pesa toneladas), a tão sonhada felicidade fica muito mais possível.

Leila Ferreira
Formada em Letras e Jornalismo, com mestrado em Comunicação pela Universidade de Londres. Colaboradora da revista Marie Claire e autora do livro “Mulheres: por que será que elas…?” (Editora Globo), foi repórter da Rede Globo Minas por cinco anos e durante 10 anos apresentou o programa “Leila Entrevista” (Rede Minas e TV Alterosa/SBT).

sábado, 4 de junho de 2011

O poder da paciência - Band




Extrai do Blog http://blogs.band.com.br/follador esse texto que julguei muito interessante para todos nós!


Sempre que a palavra poder me vem à mente,

lembro-me do Sol,

que nasce e se põe em profunda quietude,

move gigantescos sistemas planetários,

percebido pela luz e pelo calor suave que penetra pela vidraça da janela.


É assim o verdadeiro poder,

que espera paciente e chega sem ruído,

sem alarde e sem violência.

Com mansidão.

Como o oxigênio,

poderoso mantenedor da vida,

que penetra em nossos pulmões,

circula discreto pelo nosso corpo,

e nem lhe notamos a presença.

Ou as estrelas e galáxias,

que descrevem as suas órbitas com estupenda velocidade pelo cosmos,

mas nunca deram sinal da sua presença pelo mais leve ruído.

Deus, que é o supremo poder,

age com tamanha quietude e paciência

que a maioria dos homens nem percebe a Sua ação.

Essa poderosa força,

na qual todos estamos mergulhados,

mantém o Universo em movimento,

faz pulsar o coração dos pássaros,

dos bandidos e dos homens de bem.

Como a natureza nos ensina!

O êxito ou o fracasso de nossa vida

não depende de quanta força pomos em uma tentativa,

mas da persistência e paciência que nela empregamos.

Por vezes, a paciência é confundida com fraqueza,

apatia ou indiferença.

Errado.

Nada é mais forte que um sonho cujo tempo chegou,

alimentado pela paciência.

Como na previdência que tanto defendo




Renato Follador é Engenheiro Civil e Administrador de Empresas, com MBA no ESADE de Barcelona em Alta Direção de Empresas, com ênfase em Previdência Social.
Projetou, implantou e dirigiu, por seis anos o Fundo de Pensão da Itaipu Binacional.
É ex-Secretário de Previdência do Paraná.
Atua no Jornalismo da eBand.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Não receies corrigir teus erros



Coloque a lealdade e a confiança acima de qualquer coisa;

não te alies aos moralmente inferiores;

não receies corrigir teus erros.

Confúcio

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Antes do dia partir...



O que valeu a pena hoje?

Sempre tem alguma coisa.

Um telefonema. Um filme...

Paulo Mendes Campos, em uma de suas crônicas reunidas no livro "O Amor Acaba", diz que devemos nos empenhar em não deixar o dia partir inutilmente.

Eu tenho, há anos, isso como lema.

É pieguice, mas antes de dormir, quando o dia que passou está dando o prefixo e saindo do ar, eu penso: o que valeu a pena hoje?

Sempre tem alguma coisa.

Uma proposta de trabalho.

Um telefonema.

Um filme.

Um corte de cabelo que deu certo.

Até uma briga pode ter sido útil, caso tenha iluminado o que andava escuro dentro da gente.

Já para algumas pessoas, ganhar o dia é ganhar mesmo:

ganhar um aumento,

ganhar na loteria,

ganhar um pedido de casamento,

ganhar uma licitação,

ganhar uma partida.

Mas para quem valoriza apenas as megavitórias, sobram centenas de outros dias em que, aparentemente, nada acontece, e geralmente são essas pessoas que vivem dizendo que a vida não é boa, e seguem cultivando sua angústia existencial com carinho e uísque, mesmo já tendo seu superapartamento, sua
bela esposa, seu carro do ano e um salário aditivado.

Nas últimas semanas, meus dias foram salvos por detalhes.

Uma segunda-feira valeu por um programa de rádio

que fez um tributo aos Beatles e que me arrepiou,

me transportou para uma época legal da vida,

me fez querer dividir aquele momento com pessoas que são importantes pra mim.

Na terça, meu dia não foi em vão

porque uma pessoa que amo muito

recebeu um diagnóstico positivo de uma doença que poderia ser mais séria.

Na quarta, o dia foi ganho

porque o aluno de uma escola me pediu para tirar uma foto com ele.

Na quinta, uma amiga que eu não via há meses

ligou me convidando para almoçar.

Na sexta, o dia não partiu inutilmente,

só por causa de um cachorro-quente.

E assim correm os dias,

presenteando a gente com uma música, um crepúsculo,
um instante especial que acaba compensando 24 horas banais.

Claro que tem dias que não servem pra nada,

dias em que ninguém nos surpreende,

o trabalho não rende e as horas se arrastam melancólicas,

sem falar naqueles dias em que tudo dá errado:

batemos o carro,

perdemos um cliente e

o encontro da noite é desmarcado.

Pois estou pra dizer que até a tristeza pode tornar um dia especial,

só que não ficaremos sabendo disso na hora,

e sim lá adiante,

naquele lugar chamado futuro,

onde tudo se justifica.

É muita condescendência com o cotidiano, eu sei,

mas não deixar o dia de hoje partir inutilmente

é o único meio de a gente aguardar

com entusiasmo

o dia de amanhã...

Martha Medeiros