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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Projetar Pessoas por Jacques Nigri






executivo


1-Perfil do Entrevistado:

nome: Jacques Nigri

atividade desempenhada: Consultor da Diretoria de TI na TV Globo

descrição de sua experiência/perfil:

Formado em Engenharia Civil na UFRJ com pós graduação em Análise de Sistemas na PUC-RJ e MBA em Marketing de Serviços na ESPM. 
Desenvolveu carreira em TI inicialmente em Consultorias como PWC, Unisys, Origin e DBA. 
Em 2008 comecei a atuar como CIO, tendo em minha carreira desenvolvido tanto o lado da venda de serviços como aquisição de serviços e produtos.


2-Para você o que é Projetar Pessoas?

Para mim, representa permitir que todo o potencial do profissional seja exercitado e aperfeiçoado;


3-Conte uma vivência aonde você foi projetado enquanto pessoa:

Quando atuei como Diretor de Tecnologia e Processos na Hermes/Comprafácil pude utilizar todo o lado de venda interna aprendida pelos longos anos na Consulltoria assim como o skill nato para compra de serviços, podendo desta forma demonstrar o custo-benefício das iniciativas e confirmá-los através da implantação das soluções. 


4-Cite uma situação em que você pôde contribuir para a projeção de uma pessoa:

Acho que já tive algumas situações deste tipo em minha vida profissional, tanto ao promover pessoas com habilidade ainda não colocada em prática, apostando em seu potencial, como também preservando e expondo os profissionais no momento adequado para que as barreiras à esta projeção fossem eliminadas.


5-Passe uma mensagem para o Projetando Pessoas:

O líder que consegue projetar pessoas, consegue mantê-las sempre motivadas e acaba se auto projetando pois o resultado do seu grupo acaba favorecendo o seu próprio resultado;


6-Sugira o que gostaria de encontrar no blog Projetando Pessoas esse ano no blog:

Exemplos do trabalho de projeção de pessoas feitos por grandes líderes nacionais.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Projetar Pessoas por Luigino Palermo



UFRJ


1) Perfil
- nome : Luigino Italo Palermo
- atividades desempenhadas:
 
profissional - Gerente de equipe na Coordenação
de Projetos Especiais da Diretoria de Informática do IBGE
 
pessoal - filho da D. Dora, marido da Simoni e pai do Giuseppe e Beatrice
(me dão muito mais trabalho que o IBGE !)
- descrição da minha experiência: 
graduado em 1980 na UFRJ, 
mestrado na COPPE-UFRJ em 1985, 
doutorado sanduíche (COPPE e CERN-Genebra) interrompido em 1990
 
programador de computadores na (extinta) Portobrás de 1979 a 1982, 
analista de sistemas no IBGE desde 1982
gerente de projeto do Banco de Metadados do IBGE de 1995 a 2009, 
e líder de equipe em outros projetos envolvendo Banco de Dados
 
professor da cadeira de Administração de BD na FESO (agora UNIFESO), em
Teresópolis, entre 2004 e 2007
 
colaborador no projeto da INDE - Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais
- Brasil, na definição de um padrão/perfil nacional de metadados
geoespaciais
 
um dos representantes do IBGE no projeto INDA, do Governo Eletrônico

 
2) O que é Projetar Pessoas ? 
 
Vou tentar explicar com uma metáfora. 
Para mim, é como cuidar de uma planta: a gente planta aquela semente num bom
terreno, faz a rega regularmente, limpa/poda quando é necessário, enfim lhe
dá o  que precisa para existir e crescer, e retira aquilo que for daninho.
Depois admira seu desenvolvimento, suas flores e frutos (se houver), e até
a reproduz, com novas sementes ou mudas. 
E sempre aprimorando, depois de aprender com nossos próprios erros.
 
3) Vivência onde fui projetado enquanto pessoa
 
No 3. e 4. anos do primário (atual ensino básico), com cerca de 8 anos de idade
e quando eu era bem gordinho, fui aluno de uma freira, madre Regina, que sempre
acreditou em mim, me incentivava, e diminuía o efeito negativo da
discriminação dos colegas. 
Ela dizia que eu era inteligente, que ia passar no concurso de admissão 
para um bom colégio e que ia crescer, emagrecer e ficar "normal". 
Foi minha orientadora de vida, mostrando um futuro que eu
não via. 
Eu acreditei nela e as coisas que ela me disse acabaram
acontecendo ! 
Ela foi além de uma professora, acabou se tornando uma amiga
minha e dos meus pais.
 
4) Situação em que pude contribuir para projetar uma pessoa
 
No IBGE conheci um jovem estagiário, que depois foi contratado como 
programador no mesmo setor que eu. 
Ele era muito agitado e se destacava pela energia com
que fazia tudo: falar, caminhar, até programar. 
Numa ocasião, ele teve uma discussão com o seu gerente de equipe, 
e veio até mim - eu também já era gerente nessa ocasião -  transtornado, 
dizendo que queria brigar com o chefe, mesmo que custasse sua demissão. 
Eu o acalmei, o aconselhei a não reagir naquele estado emocional e 
mais tarde) lhe ofereci uma posição na minha equipe. 
Ele aceitou, e com o passar dos anos, e depois de muita
conversa, ele aprendeu a controlar seu ímpeto e dosar a energia. 
Se tornou meu parceiro de trabalho e amigo pessoal: sempre que tínhamos 
um problema, trocávamos idéias, conselhos, experiências. 
Acompanhei sua evolução: graduou-se como analista de sistemas, casou, 
construiu um lar, teve um casal de filhos, fez mestrado. 
Atualmente ele é coordenador - 3a. posição na hierarquia do IBGE, 
abaixo apenas do presidente e dos diretores - e meu chefe desde 2009, 
e já recebeu 2 prêmios como destaque na área de informática do 
setor governamental. 
Tenho orgulho desses prêmios, como se fossem meus. 
E até hoje ele lembra daquele dia em que evitei o incidente
que poderia terminar sua carreira no IBGE, e de todos os desafios, 
derrotas e sucessos que compartilhamos.
 
5) Mensagem para o Projetando Pessoas - vida longa !
 
6) O que eu gostaria de encontrar no blog Projetando Pessoas no próximo ano
- mensagens de prêmios conquistados em 2013 pelo blog
 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

MESTRES que nos projetaram como DOAÇÃO!


Você já procurou no dicionário o significado de:

Ensinar: Instruir sobre: ensinar matemática. Doutrinar: ensinar crianças. Educar. Mostrar, apontar: ensinar o caminho.


Educar: Desenvolver as faculdades físicas, morais e intelectuais de. Instruir. 


Instruir: Ensinar, lecionar, transmitir conhecimentos a. Informar: instruir alguém do que se passa.  

Ensinar, educar, instruir passar a ter um significado muito maior depois que somos mães e pais e entendemos o papel de DOAÇÃO ilimitada, irrestrita, incondicional aos nossos filhos, e passamos e valorizar mais e mais nossos pais e nossos mestres, que durante anos e anos foram nossos educadores, nossos exemplos!

Por isso hoje, 15 de outubro, dedico esse espaço aos meus queridos mestres e aos educadores das minhas amadas filhas!





D. Elmaia



D. Therezinha 



e D. Elsie 


do Grupo Escolar Joaquim Távora, professoras inesquecíveis em minha vida!
Quantos amigos queridos que mantenho até hoje!

D. Lais (não encontrei fotos dessa época) que me desafiou (no IEPIC) e me fez superar barreiras quase impossíveis para a época (passar na prova do ABEL).



Ana Vitória 

e Rômulo que me ensinaram que : "The book is on the table", na primeira turma do Instituto Brasil América em Niterói !!!
Ao Mr Geizel e aos queridos professores Paulo e Carlos do CCBEU da Otávio Carneiro, passei lá semana passada e vi que aquela casa não existe mais, meu coração partiu!

E a amada turma de professores do ABEL:
Malker, Deise, Írio, Cadu, Godofredo e tantos outros, com tantas histórias marcantes para contar,  que passa muitos posts descrevendo as aventuras dessa época maravilhosa da minha vida e de tantos amigos dos tempos de ABEL!
Aonde quer que vocês estejam recebam minhas boas vibrações de agradecimento!
Muitos já estão nos ensinando lá de cima!
Outros ainda estão contribuindo muito em sala de aula, na política, na literatura!
 Lembro de cada ensinamento recebido!


A cada campanha eleitoral passo pela fotografia do Godofredo e mostro para minhas filhas a foto do professor de matemática que me fez escolher a Faculdade de Matemática!

E o Professor Zezinho do Curso de Profissionalizante do ABEL que me apresentou o primeiro computador, um IBM /360, se ele soubesse o quão determinante foi na minha carreira!!!
Por onde aonda o professor Zezinho, alguém sabe?
Se alguém souber conte prá ele que 30 anos depois eu fiz Informática graças a motivação que ele me passou, ao seu estímulo!

Meus mestres da UFRJ, da gradução e do mestrado: Paulo Bianco, Ysmar Vianna, Estevan de Simone, Jano, Beatriz, Miguel (in memoriam), Lígia, Lídia, geniais, exemplos de conhecimento que me inspiram até hoje na carreira!

E não poderia deixar de citar aqui as pessoas maravilhosas, profissionais super dedicadas que com seu brilhantismo, energia, bondade, competência, amorosidade, sabedoria, me ajudaram e me ajudam na tarefa de projetar minhas filhas em sua educação!

Regina Fátima, Sonia Paula, inesquecíveis em nossas vidas!
Glória, Giovanna, Dayse, Marília,Cláudia, Rita, Ritinha, Renata, Andréa e tantas professoras queridas das duas filhotas!
Berta Rosanova(in memoriam) e sua filha Ava,  ídolas eternas da minha mais velha!
Lilian Villaça uma dançarina que modela minha princesa na arte da dança!
Os queridos professores do Santo Agostinho (alguns já falecidos) que foram determinantes no sucesso da minha filha.
Os mestres do Direito da universidade que a estão formando.


Projetando Pessoas ficou nos TOP 100 finalistas do Prêmio TOP Blog!!!
Agora começou o 2o. Turno e só dependo do seu voto para ganhar esse prêmio em sua Edição de 2012! Clique no ìcone no Prêmio (no canto superior direito do blog) e vote com todos os seus emails, pelo facebook e twitter!
Muito obrigada pelo incentivo!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Projetar Pessoas por Mariana de Castro Moreira

Mariana de Castro Moreira é filha da querida Lurdinha do Espaço Compartilharte, e veio nos prestigiar com sua experiência numa obra tão fascinante como o trabalho que faz em Teresópolis.
Suas expressivas palavras dispensam quaisquer introdução ou apresentação!
Demais, muito obrigada!


Graduada em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1997). Mestre em Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2000). Doutoranda do Programa EICOS/UFRJ (2010).
Área de atuação: psicologia social e comunidades: saúde e educação, desenvolvimento social e meio ambiente. Atualmente é Secretária Executiva do Espaço Compartilharte, ONG nacionalmente reconhecida, onde tem atuado na gestão de projetos sociais nas áreas de educação, meio ambiente e assistência social. Dedica-se à produção de conhecimentos nestas áreas, através de atividades de avaliação, sistematização e disseminação de experiências e metodologias. Participa de diversos conselhos e fóruns formuladores de políticas públicas. É professora e consultora em cursos de graduação, pós-graduação e atualização profissional.

Nasci em Brasília, em 1973. Sou de umas das primeiras gerações da nova capital, à época adolescente, em seus 13 anos. Sou filha de mineiros que saíram jovens de Belo Horizonte para estudar e trabalhar. A cidade, quando nasci, reunia gente de todo lugar do Brasil: uma mistura de sotaques, comidas, costumes que, hoje, reconheço se configuram como um mosaico, fazendo diferença em minha história, no olhar e interesse pelas multiplicidades de formas de ser/conviver.

Embora vivêssemos a chamada “abertura política”, a ditadura militar faz parte das imagens de infância. Nas ruas, estão os desfiles militares, a comitiva do então Presidente Figueiredo passando pelas largas avenidas da cidade. Nas escolas, colegas de sala filhos de militares, professores mais ou menos “libertários”. Em casa, as histórias, músicas, vestimentas, sonhos, discursos e também não ditos sobre a Revolução. Minha mãe, envolvida com o movimento estudantil, foi presa política. As noites e os finais de semana eram verdadeiros encontros de amigos – muitos jornalistas, professores, arquitetos, artistas – que se reuniam em torno de um ideal: um mundo igualitário, livre, com direitos garantidos – ou conquistados – para todos. Amigos desaparecidos ou sem poder “aparecer”... A trilha sonora reúne os Tropicalistas, Doces Bárbaros, Mutantes, Secos e Molhados. Muitos mineiros do Clube da Esquina. Doces melodias da Bossa Nova, nas vozes de Nara Leão, Tom, Toquinho...

Meus pais se formaram na jovem Universidade de Brasília (UnB). Roberto em Sociologia. Lurdinha em Comunicação Social. Ele, encantado pelos “saberes acadêmicos”, fez mestrado em Comunicação e Doutorado em Sociologia, estudando a cultura brasileira e dedicando-se à docência e pesquisa. Ela, a tradução dos versos “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”, fez pós-graduação em Política e Planejamento de Comunicação para o Desenvolvimento e, mais adiante, em Gestão Ambiental, sempre buscando colocar a comunicação a serviço do trabalho com grupos, comunidades. Dele, reconheço em mim, a paixão pelos saberes, a disciplina necessária para conhecer. Dela, reconheço a paixão pelos fazeres, a garra necessária para transformar e realizar. Caminhos complementares para viver e conhecer.

Ambos, Lurdinha e Roberto, foram servidores públicos – servidores na acepção do termo, distintamente de funcionários públicos. Dedicaram anos de suas vidas ao Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Nasci destas histórias e me chamo Mariana em homenagem à cidade histórica mineira. Tenho um irmão, Beto, que quando pequeno, foi apelidado de “Ouro Preto”. Passamos grande parte de nossa infância, viajando pelo Brasil – Minas Gerais, Goiás e estados do Nordeste principalmente - visitando monumentos históricos, acompanhando restaurações e projetos de desenvolvimento comunitário.

Em nossa educação, valores como a verdade, o respeito e a solidariedade foram ensinados como pontos inegociáveis. Talvez por isso, em minha formatura de graduação em Psicologia, a turma tenha escolhido a canção “Bola de meia, bola de gude” para me (re)apresentar.

“Há um menino, há um moleque, morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança ele vem pra me dar a mão
Há um passado no meu presente, o sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra o menino me dá a mão

Ele fala de coisas bonitas que eu acredito que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito, caráter, bondade, alegria e amor
Pois não posso, não devo, não quero viver como toda essa gente insiste em viver
Não posso aceitar sossegado qualquer sacanagem ser coisa normal

Bola de meia, bola de gude, o solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança o menino me dá a mão
Há um menino, há um moleque morando sempre no meu coração
toda vez que o adulto fraqueja ele vem pra me dar a mão”.
Da infância em Brasília, ficaram as brincadeiras na rua. Na escola, eternos desafios com matemática e, mais a frente, com química e física... História e literatura foram, desde muito cedo, minhas paixões. Sobretudo estudar as civilizações antigas, a História do Brasil, os movimentos literários e os clássicos autores brasileiros. “Quando crescer, vou ser professora e arqueóloga”, dizia.

Lembro-me de questionamentos sobre o sentido da escola e a necessidade de estudar “assuntos desvinculados da vida”.  Ao lado da escola formal, tivemos a oportunidade de fazer “escolinha de arte”: uma psicanalista que utilizava um atelier de cerâmica como espaço terapêutico e abria também espaço para as crianças... Estudei teatro: Oswaldo Montenegro montava suas primeiras peças na escola onde estudávamos. Mais tarde, fiz Tablado no Rio. Dança com Carlota Portella, Expressão Corporal com Angel Viana.

Sem seguir necessariamente uma ordem cronológica, reúno imagens da infância-juventude, quando a arte e a cultura mediavam relações com o mundo, abriam canais de expressão e experimentação, não formais, informais, mas fundamentais para a formação de olhares diversos.

Dos 10 aos 17 anos, morei no Rio de Janeiro e em Brasília – três idas e vindas - em períodos diferentes. Da vivência no Rio, ficam ao mesmo tempo a dificuldade de ser “estrangeiro” e ser estranho no sotaque, nas gírias, nos modos; mas também a abertura para uma multiplicidade de pessoas e modas. Ternos e biquínis no mesmo espaço-tempo, mescla de tribos... o que, em Brasília, não existia.

Desta época, ficam também as primeiras vivências no movimento estudantil, por uma “escola de qualidade”! A campanha das “Diretas Já” e a primeira candidatura de Lula à Presidência da República. Uma acirrada discussão com uma colega de escola, filha de um grande fazendeiro, que tentava me convencer sobre os propósitos da UDR, ruralistas e afins contra o “analfabeto comunista”... Curiosidades e experiências religiosas, com credos diversos. Católicos, espíritas, evangélicos, umbandistas, budistas, ateus... Os primeiros amores, as rodas de violão, tocadas à noite no Congresso Nacional – diversão dos jovens brasilienses, tão “perto” do poder.

Em 1991, o primeiro vestibular: História! Na UFF, UnB, UERJ... não passei. Em 1992, o segundo vestibular: Psicologia. Dentre as várias aprovações, a opção pela UFRJ e o sonho da Universidade Pública! Da História à Psicologia, muitas “costuras” vêm sendo tecidas ainda hoje, no alinhave da subjetividade com a cultura; no encontro com a Psicossociologia; na descoberta de que estas fronteiras não são assim tão nítidas... em comum, a paixão pelas histórias, pelas narrativas, formas de contar e viver a vida.

Setembro de 1991. Um grupo de sete amigos, do qual fazia parte, realiza as primeiras atividades com crianças e mulheres de comunidades rurais de Teresópolis. Brincadeiras, teatro, música, conversas... formas de conhecer e se apresentar àquelas pessoas. Era o início do que muito depois viraria o Espaço Compartilharte, ONG na qual trabalho ainda hoje. Mais dessa história, pode ser conhecida em www.espacocomprtilharte.org.br ou pessoalmente em nossa sede.

Hoje, estou casada e sou mãe de Pedro e Júlia, a melhor e mais desafiadora experiência de toda minha vida. Esperança e compromisso de continuar lutando e buscando contribuir com a construção de uma vida melhor.

    
A idéia de Projetar Pessoas me lembra muito um texto de Stephen Kanitz sobre o Poder de Validação. Ele fala em um significado distinto da conceituação da estatística. Para o autor “Validar alguém seria confirmar que essa pessoa existe, que ela é real, verdadeira, que ela tem valor”. E mais: “Todos nós precisamos ser validados pelos outros, constantemente (...) Validar o outro significa confirmá-lo, como dizer: "Você tem significado para mim".” (disponível em http://www.kanitz.com.br/veja/o_poder_da_validacao.asp)
Projetar Pessoas, no meu entendimento, aproxima-se dessa proposta. Trata-se, em primeiro lugar, de olhar o outro, reconhecê-lo em sua existência, enxergá-lo... o outro existe também a partir do nosso olhar e das possibilidades que inventamos para nos relacionar e conviver. Projetar pessoas é compartilhar possibilidades de encontros. Encontros que transformam.
Assim entendido, a primeira experiência de Projetar Pessoas começa com a própria geração da vida. Pessoas que dão oportunidade de projetar outras, fazendo-as existir. A mãe quando olha seu bebê, ao amamentar, cantar, brincar, acarinhar projeta pessoas... É, como diz a música, quando vemos “a mulher preparando outra pessoa” e “o tempo pára (parou) para eu olhar para aquela barriga”... Sim, “a vida é amiga da arte” e talvez viver seja feito da arte de projetar pessoas e ser projetado.
Hoje, cedo, ao estudar ciências com meu filho, falávamos da luz e suas características... Ele, aos nove anos, tentava entender a diferença entre objetos transparentes, opacos e translúcidos. Projetar pessoas afasta-se da opacidade e aproxima-se da transparência. A luz atravessa, ilumina e transforma pessoas.
O blog Projetando Pessoas atua nesse sentido: dando visibilidade, promovendo encontros, iluminando trajetórias. Vida longa ao Projetando Pessoas!    
A oportunidade de atuar, há vinte anos, no Espaço Compartilharte, em Projetos Sociais é tecida a partir da possibilidade de Projetar Pessoas. Conhecer, identificar e dar visibilidade não somente às demandas de famílias e comunidades vivendo em situação de vulnerabilidade, mas sobretudo às suas potencialidades é o primeiro passo. Construir projetos, desenvolver e acompanhar ações de fortalecimento dos direitos dessas pessoas e grupos é nossa missão. Entender nosso trabalho como luta pela garantia de Direitos e não como favor ou caridade é uma forma diferenciada de Projetar Pessoas.
Vale acrescentar que não é só nosso”público-alvo” que é projetado para outras possibilidades de ser e conviver, mas igualmente e sobretudo nós, que atuamos a frente destes projetos, vivemos a real possibilidade de termos nossas vidas transformadas por estes trabalhos.